quinta-feira, 11 de junho de 2009

Confira imagens de templos e castelos do Japão - Turismo - Made in Japan

Haiquases






Para cada linha que risco
São três que rabisco
Até em árabe eu risco
os meus arabescos.


Na grávida
Há vida
Hávida.


Meu poema não tem bula
Não é remédio que mata
Ou que cura.


Você ainda vai ver
O meu verso
Invadindo a sua tevê.


Com um jogo de ferramentas
Desmantelo esse dicionário
Faço prosa, faço poema
E ainda sobra vocabulário.


Já transformei a minha cama em leito
Com essa minha mania de poeta
Só para dar rima, até de dia me deito.

terça-feira, 9 de junho de 2009


Quem não deve, não teme

Já estava mais que arrependido de ter tomado as dores do filho numa discussão boba entre adolescentes, principalmente depois de ter descoberto que o jovem era filho do delegado da 999ª DP, campeã no quesito "desaparecimento de presos e indiciados". Dizem as más línguas que nos fundos da delegacia existe até um cemitério. Timbaúba não dormiu naquela noite, e o dia seguinte foi pior ainda. Os amigos, no intuito de gozação, pediam-lhe ora o relógio, ora outra coisa como lembrança. Para evitar não só as brincadeiras, decidiu não sair de casa até que o assunto caísse no esquecimento. Avisou à empregada: "Se algum Sérgio tocar a campainha, diga que não estou, que viajei para Belém, vou ver o Círio de Nazaré. E foi para a oficina - era eletrotécnico - terminar alguns consertos.
Solda aqui, aparafusa alí, triiiiiiiiimmmm, tocam a campainha. O susto foi tão grande que o ferro de solda caiu nos pés, queimando. Prendeu a respiração. Silêncio quase total, só se ouvia os passos da empregada indo; agora vindo.
_ E aí? quis saber.
_ Era o tal do Sérgio. Falei que o senhor foi ver o seu Ciro da dona Nazaré.
_ Círio de Nazaré, a santa padroeira de Belém, mais respeito. Deixa pra lá.
_ Se preocupe não, ele parecia enfezado mas não tava armado, tava com um alicate e uma chave de fenda.
Segundos depois, faltou energia. Timbaúba foi ver o medidor. Colado a este um bilhete: "FAVOR PROCURAR A *CERJ".
*CERJ, atual AMPLA, distribuidora de energia elétrica no interior do Estado do Rio.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Correntes


Abri o emeio e ela estava lá, mais uma vez: "Até quando vai me ignorar. Não rompa essa oração genial, criada pelos mais remotos clãs das Highlanders escocesas. Isso não é corrente, garanto. Uma senhora, no Canadá, rompeu-a e um canguru sambou no teto da Ferrari dela. Não conseguiu convencer o seguro a indenizá-la. Um norueguês comeu bacalhau estragado depois que rompeu a corrente, quero dizer oração. Você verá que coisas maravilhosas, fantásticas, acontecerão em sua vida, basta enviar para doze amigos. Não, não é possível que você não tenha doze amigos".
Ah, quié, claro que tenho doze amigos. Tenho até mais de doze, acho que tenho uns treze, quatorze amigos. Mas já ouvi todos dizerem que detestam essas correntes, melhor, "orações". Eles nem abrem. Mas, e se eu enviar? Talvez abram, afinal, amigo é até para isso. Selecionei os doze amigos e enviei a mensagem, muito bonita por sinal. Bom, a minha parte eu fiz, pensei, não serei eu a quebrar a "oração". Desliguei o computador e saí para almoçar. No restaurante recebi a primeira das "boas" notícias: "O que houve? - perguntou Rony. Todo mundo já almoçou, inclusive a Luê. Aqui, estava linda". Tudo bem, almoço sozinho, pensei. Sentei e pedi o meu prato. Aliás, só como um tipo de comida: peixe. "Acabou", disse o garçom, secamente. Comprei duas barras de cereais na esquina e voltei para o serviço. Na minha mesa um bilhete em letras garrafais: "Compareça ao departamento pessoal". Esvaziei logo as gavetas e fui, esperando pelo pior. "Aqui, seu maluco, irresponsável, quantas vezes eu te falei para não me enviar essas porcarias de correntinhas. E parece que você enviou para todo o RH e pro presidente. Sabe o que vou fazer contigo? A nossa filial na África está precisando de um gerente. Você vai pra lá" .
Bom, pelo menos não perdi o emprego e ainda poderei ver a Copa do Mundo, se não quebrar nenhuma corrente até lá.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Departamento Jurídico


Ainda procurando o seu processo, seu Eduardo?
Ainda, mas não sou o seu Eduardo, sou o filho dele, é que o processo está tão lento, mas tão lento, que o meu pai morreu e agora estou aqui, tentando resolver, pegar as coisas dele, pra guardar como recordação, tão somente.
Que absurdo, pelo amor de Deus! Me dá o número desse processo, vou resolver isso para você. Posso chamá-lo de você?
Lógico. A propósito, quem atendia ao meu pai era o seu.
Então faz tempo mesmo, o meu também morreu.
Aqui o número.
Pode me chamar de Pedro, o mesmo nome do meu pai, ou de Júnior, como todos me chamam na repartição. Epa!
O que foi, Júnior?
Tá faltando algarismos.
É que o processo é tão velho, que já ganhou mais algarismos. Não tem lugar nem para uma vírgula, mas o que eu gostaria mesmo é que não tivesse mais espaços para despachos.
O sujeito, o tal do Júnior, desapareceu atrás de uma porta, voltou, muito tempo depois, com um calhamaço nas mãos.
Tá aqui, não te falei que resolvia? Até despachei. Pedi pelo prosseguimento.
Tô vendo, a mesma coisa que os outros fizeram, e que farão todos os demais por onde esse maldito processo passar.
Então vou pedir pelo não prosseguimento.
Que tal pedir pelo indeferimento, ou pelo deferimento, ou pelo arquivamento. Isso é só um pedido de aposentadoria. Quando vocês pediram pelo prosseguimento, o meu pai prosseguiu trabalhando, mas ele queria somente o deferimento, pois já havia mais que completado o tempo dele.
Não fique nervoso, isso aqui vai melhorar, vamos informatizar tudo. O secretário já enviou o processo para o jurídico.
Como veio o despacho?
Pelo prosseguimento.

sábado, 16 de maio de 2009

Tantos



Estou um tanto quanto
jogado a um canto
enquanto o pranto
me serve de acalanto
entretanto, entre tantos cantos
levanto o manto, quebro quebrantos
desencantos, agiganto, adianto
suplanto, imanto, planto,
transplanto, replanto,
me espanto comquanto
.